IT, A Coisa

“IT” é um desses livros que sempre esteve na minha lista para ser lido e que eu fiquei meio que embromando. Quando adolescente assisti ao filme e desde então tenho muito medo de palhaço (coisas que só o Tim Curry faz por você). O tempo foi passando e quando vi que uma nova edição seria lançada e com uma nova tradução feita pela Regiane Winarski coloquei na lista de desejos. A especialista em Stephen King aqui da redação, Raphaela Ximenes, se encarregou de realizar o desejo e eu mergulhei nos bizarros acontecimentos da cidade de Derry, Maine.

“IT” é um livro que assusta pelo tamanho e pela mítica de Pennywise, o palhaço, mas vale o investimento, vale dor no braço de sustentar as mais de 1100 páginas. É um grande livro de Stephen King, um em que ele explora a infância, a amizade, a lealdade e o poder da crença, temas que se repetirão em sua obra. Aqui em alguns momentos a escrita de King parece ainda um pouco crua, o livro é de 1985, ainda sem o refinamento de livros mais recentes como “Novembro de 63” e mesmo assim o essencial está lá: uma história bem contada e construída.

O livro começa em 1985, o presente, com Mike Hanlon ligando para os amigos de infância e os convocando a cumprir uma promessa feita no verão de 1958.  É nesse momento que temos umas cena que já entrou no meu ranking pessoal das melhores cenas que já li: Beverly Marsh enfrentando seu marido Tom. A cena é simplesmente maravilhosa. A apresentação de todos os personagens faz com que o leitor se envolva com aquele grupo de amigos e comece a torcer por ele mesmo sem perceber, é um grande inicio de livro, um que vai construindo a tensão aos poucos e que instiga na medida certa, fica-se com a vontade de saber o que aconteceu no verão de 1958 e como essas sete pessoas tão diferentes tornaram-se amigos.

Os acontecimentos de 1958 são contados aos poucos intercalados com o presente, uma estrutura narrativa que instiga e faz com que seja difícil fechar o livro. Os capítulos das lembranças (verão de 1958) são os meus preferidos, King constrói com maestria os laços de amizade da infância, a cumplicidade e, principalmente, a crença no impossível, no mágico. Tem aquele ar nostálgico que faz ter saudade dos seus amigos de infância. Eu até liguei pro meu amigo mais antigo, quase três décadas de amizade, para bater um papo depois de ler alguns desses capítulos.

Os capítulos do diário de Mike contam a história de Derry e quanto mais eu lia mais tinha certeza de que Derry está na mesma situação de Sunnydale (Buffy mora no meu coração), ou seja, em cima da uma hell’s mouth. O que há de mais violento acontece lá e ninguém faz nada, uma aura de maldade e violência cerca a cidade. O fato de ser o diário de um bibliotecário, assim como Giles, só faz reforçar a minha impressão de hell`s mouth.

Como em outros livros de King quando o final começa a se aproximar as coisas começam a ficar meio soltas, como se ele não soubesse como terminar a história. Sem dar spoilers digo apenas que tem uma cena deles quando criança que é totalmente desnecessária e parece ter sido colocada apenas pelo choque que causa; alguns personagens são subaproveitados, especialmente Tom; o final deixa uma certa tristeza por causa do Clube dos Otários. Acabei o livro e fiquei com vontade de ler mais e mais a obra de King, tenho muitos livros para sair da minha ignorância sobre o mestre do terror. Vou ali pedir umas dicas para a Rapha de por que livro começar.

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