Mandingas da Mulata Velha Na Cidade Nova

Esse é um desses livros que entram na biblioteca meio pela janela, furam a fila meio sem explicação e abrem um novo universo de possibilidades. Fui ao stand da Editora Língua Geral na Primavera dos Livros para comprar um presente e, como boa bibliófila que sou, acabei comprando um livro para mim. O livro em questão foi “Mandingas de Mulata Velha na Cidade Nova” pelo simples motivo de que nunca tinha lido nada do Nei Lopes e os livros dessa editora são bons para carregar (pequenos e leves). Pelas suas características físicas o livro acabou na bolsa e foi devidamente devorado em poucos dias.

Nei Lopes conta a historia da comoção com a morte de Tia Amina ou Norata, uma baiana que vivia nos arredores da Praça Onze, e a apuração de um repórter, o Conta-Mais, para montar sua história. É um romance sobre a importância das Tias na formação dos blocos carnavalescos, é um mergulho em como o samba de roda chegou no Rio e foi se transformando no fenômeno que é hoje na cidade. É a história, de certa forma, da famosa Tia Ciata e o berço do samba carioca.

O que me encantou no livro não foi a vida de Tia Amina e sim toda a ambientação do Rio de Janeiro no começo do século XX, sobre os terreiros, a religiosidade, o sincretismo e a importância de tudo isso para a construção da identidade da cidade. Lendo realizei quão pouco sei sobre tudo isso, como sei pouco sobre os negros que aportaram no Brasil trazidos pelo tráfico. Como a maioria das pessoas tenho uma noção da contribuição das diversas etnias que aportaram aqui, mas, talvez pela primeira vez, me vi diante da minha total ignorância sobre de que região da África eles vieram, que religião professavam, de que etnia eram e com isso tudo foi incorporado a nossa cultura. Minha ignorância é enorme, maior até do que a do repórter Conta-Mais, personagem que nos guia no romance.

Se já não bastasse a realização da minha ignorância sobre que pessoas foram essas trazidas a força para o Brasil, o livro é passado boa parte em terreiros e as religiões afro-brasileiras tem um papel importante na trama. Mais um tema tão presente na vida nacional, a maioria de nós se veste de branco na passagem de ano, do qual nada sei. Se você, como eu, não sabe nada sobre isso não precisa se preocupar, o Conta-Mais é igual a nós e isso permite que Nei Lopes explique tudo para leigos sem prejudicar o andamento da narrativa.

Ao acabar o livro comecei a montar uma lista do que preciso ler para preencher essas lacunas no meu conhecimento sobre a história brasileira e sua cultura. Nei Lopes e seu romance me deram também outra perspectiva sobre um samba que sempre gostei, “Praça Onze” de Herivelto Martins e Grande Otelo.

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