Objetos cortantes

Ler a obra completa de um autor sempre me dá uma sensação de entendimento maior de todos os livros e com a Gillian Flynn não foi diferente. “Objetos Cortantes” é o primeiro livro da autora e o terceiro que leio (sim, li a obra de trás para frente) e gostei desse livro tanto quando de “Garota Exemplar” e “Dark Places”.

Eu já sabia que Flynn não é adepta de protagonistas femininas cheias de virtudes e isso, provavelmente, é uma das características que torna seus livros tão interessantes, suas mulheres tem sempre um lado perverso que dá a elas uma dimensão mais humana, afinal, todos nós lidamos com nosso lado obscuro. Em “Objetos Cortantes” essa mulher é Camille, uma repórter de um pequeno jornal de Chicago que é enviada a sua pequena cidade natal para cobrir o assassinato de duas crianças. Parece um enredo simples, mas lembre-se que construir enredos intrincados é uma das características da autora.  Camille é parte de uma família bastante estranha, uma mãe com obsessão por doenças, um padrasto meio ausente e uma irmã que apresenta personalidades bem diferentes com os pais e na rua. Como fruto desse lar bastante perturbador Camille tem uma relação que é, no mínimo, estranha com as palavras e aqui vai um pequeno e não muito importante spoiler, ela corta as palavras em sua pele, uma das razões para o titulo do livro.

“Objetos Cortantes”  é o livro mais sombrio de Flynn e o que menos me envolveu, isso não significa que ele seja pouco envolvente, pelo contrário, a autora é mestre em enredar o leitor. O que acontece aqui é que toda aquela atmosfera sombria, aquela família estranha me davam vontade de ter algumas pausas na leitura para encontrar ares mais calmos. Foi um livro de que precisei de algumas pausas, curtas, a minha curiosidade não permitia passar muito tempo longe da história.  A trama se desenvolve com um bom ritmo, as pistas são descobertas aos poucos, os suspeitos vão mudando, a mistura entre o passado de Camille e os crimes presentes tem um bom equilíbrio e, algo que acho surpreendente, é o livro de Flynn que tem o final melhor resolvido. Tanto em “Garota Exemplar” quanto em “Dark Places” a jornada é melhor do que seu desfecho, ambos os livros tem final que deixam o leitor com um certo desgosto, aqui a história é diferente, o final tem o mesmo ritmo da jornada e é o mais crível. Ele tem alguns probleminhas, tudo acontece rápido demais, algumas questões são esquecidas, mas no todo ele é bem resolvido.

Gillian Flynn entrou na minha lista de autores para acompanhar, desses que continuarei lendo tudo que escrever. Ela precisa trabalhar seus finais mais um pouco, se bem que o Stephen King tem finais péssimos há anos e mesmo assim continuo lendo seus livros com sorriso nos lábios.  “Objetos Cortantes” deve ser transformado em uma série para TV. Já está na minha lista para assistir, ainda mais se o roteiro for dela como anunciaram.

Compre aqui:

Submarino01 Saraiva Travessa Americanas Livraria Cultura

Um pensamento em “Objetos cortantes”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: