Todo Dia

Imagine que você é uma alma itinerante, que acorda todos os dias no corpo de alguém e vive uma vida completamente diferente; sempre alguém de idade próxima e nunca a mesma pessoa duas vezes. Você ganha acesso a todas as lembranças de vida daquela pessoa, além das suas, e experimenta todo tipo de realidade. Essa é a trama de Todo Dia, filme baseado no livro homônimo de David Levithan (lançado em 2012), bestseller da lista do New York Times.

A, como prefere ser chamado, pula de corpo em corpo sem deixar rastros. Ele tenta ao máximo não interferir na vida das pessoas, vivendo cada dia como se fosse invisível, para não atrapalhar nem causar mudanças substanciais, afinal, acredita que não tem o direito de se meter nas decisões importantes de quem ele assume a identidade por 24 horas. Porém, ao acordar no corpo de Justin (Justice Smith), o namorado negligente de Rhiannon (Angourie Rice), A decide se permitir uma pequena aventura, quando Rhiannon o convida para matar aula a fim de passar o dia juntos. Contrariando todas as regras autoimpostas, A acaba se apaixonando por Rhiannon e dia após dia, sempre no corpo de alguém novo, ele dá um jeito de gravitar de volta para ela, mesmo quando a nova identidade mora a três ou quatro horas de distância. Aos poucos, Rhiannon mostra para A a importância de alguns rastros que deixamos na vida das pessoas e A passa a questionar suas restrições e capacidades.

Quem assina o roteiro da adaptação é Jesse Andrews, que também adaptou Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer (2015), e os leitores da obra de David Levithan vão gostar de saber que o roteirista acrescentou no filme o ponto de vista de Rhiannon, o que só passamos a conhecer no livro Outro dia, continuação de Todo dia. Por outro lado, as soluções criativas são bem diferentes, e enquanto no livro as limitações do poder ou maldição (dependendo de como você enxerga) de A são apenas questionadas, abrindo um leque de possibilidade para interpretação por parte do leitor, no filme nós vemos o personagem testar esses limites e nos mostrar exatamente do que ele é capaz. Não há grandes reviravoltas e expectativas para o fim, porém, em momento algum o ritmo, desde o início estabelecido, é prejudicado.

Tanto David Levithan quanto Michael Sucsy, que assina a direção do longa, conduzem uma história bonita sobre se colocar no lugar do outro. Através do ponto de vista de A, nós conhecemos a realidade de vários adolescentes em situações completamente distantes umas das outras, ora num corpo feminino, ora num masculino, no corpo de uma pessoa cega, no de uma sofrendo de depressão prestes a tentar suicídio, de uma pessoa trans, descobrindo que nem sempre nosso corpo concorda com o que a gente quer, de tanta gente diferente e, no entanto, vemos o quanto somos parecidos e todos queremos a mesma coisa.

Todo Dia é mais do que um filme/livro sobre amor impossível, é sobre diversidade e o quanto ela nos fortalece e nos ensina a ser mais empáticos. O filme estreia hoje, dia 12 de julho, e o livro, publicado pela Galera Record em 2012, está disponível em todas as livrarias.

O autor americano David Levithan estará na Bienal Internacional do Livro de SP no dia 11/08 e no RJ dia 13/08 para um sessão de autógrafos, ainda sem local confirmado. Fiquem ligados no site da Galera Record para mais informações.

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