Três dias com Julia Quinn

Para vocês conhecerem o meu histórico com a autora Julia Quinn, basta ler aqui. Então dá para imaginar o grau da minha felicidade ao ser convidada pelas editoras Arqueiro e Record para mediar um bate papo com ela e com a autora Carina Rissi, de quem também sou muito fã! Além desse bate-papo, ainda tive a oportunidade de mediar a Julia no Conexão Jovem durante a Bienal Internacional do Rio de Janeiro e ainda por cima, tomar um chá com ela! Gente, é muito surto para uma pessoa só!

Eu sei que estou devendo esse post há séculos, mas é que muita coisa tem acontecido na minha vida e só consegui parar agora para contar para vocês como foram meus três dias com Julia Quinn.

O primeiro dia foi praticamente uma tarde digna dos Bridgertons! Fui convidada pela Editora Arqueiro a integrar um grupo de adoráveis moças fãs da autora para um chá no Copacabana Palace. Acho que éramos menos de 15 e só duas realmente tomaram chá! O resto de nós – incluindo Julia – caiu dentro do café mesmo. (risos).

Chegando no restaurante Pérgula, próximo à piscina do hotel, o tempo ficou britânico: neblina, chuva e frio. Mas nada que apagasse o entusiasmo de todas nós por finalmente conhecer quem embalou nossos corações em histórias românticas e deliciosas de ler!

Aí chegou ela! Julia Quinn! E abraçou cada uma de nós! Uma fofa!

Sentamos e as meninas se apresentaram. Fiquei ao lado da minha amiga Mariana Fonseca, do Julia Quinn Brasil, que tem um longo relacionamento com a autora já. Então imaginem como papeamos! Foi show!

Ao me apresentar, expliquei que, diferente das meninas ali presentes, eu não tinha uma fanpage ou blog dedicado ao trabalho dela, mas seria a mediadora de seus eventos no Rio. E ela “Ah, a Mariana (do Marketing da Arqueiro) já me contou tudo sobre você! Que bom te conhecer!” e eu surtei por dentro bonitinho, como manda o figurino. Mas aí tive a minha tão sonhada oportunidade de questioná-la sobre o que sempre reclamei sobre “O Duque e Eu” (que você pode ler aqui).

Antes de continuar, explico que, daqui para a frente, é possível vocês saberem de spoilers dos livros da Julia, principalmente esse.

Continuando. Quando li “Duque”, fiquei muito chateada ao final do livro. Vejam vocês, eu tinha me apegado a Simon e adorado Daphne, a protagonista, quando ela comete um ato que me fez ficar chocada! Para entender a situação: depois do livro todo e tal e ela e Simon se casarem, Daphne insiste que quer filhos (para ela – e para as moças da época – ter filhos após o casamento era simplesmente padrão e quase que um absurdo não os ter) e tenta fazer o marido mudar de ideia (ele tem razões fortes para não querer ter filhos e diz a ela que não pode tê-los). Aí ela descobre que ele a enganou ao dizer que não pode ter filhos. Ela achava que era algo físico, mas na verdade é de princípio. Então o que ela faz? Ele está de porre e os dois estão se pegando consensualmente e ela não “desencaixa” dele até que tudo esteja terminado. Sacaram? Geralmente ele “se soltava” dela antes da situação se concluir para evitar a concepção. Mas ela segura ele lá até o final e ele se desmonta em tristeza e traição.

Claro que tudo fica bem no final, mas eu não pude evitar de me sentir abismada com a situação. Afinal, se os papéis fossem invertidos, a mulherada estaria revoltada, né? Então perguntei para Julia sobre isso. Perguntei a razão da escolha dessa conflito ser feito assim e se ela recebeu outras críticas sobre isso. Ela disse que sim, mas só muitos anos depois da publicação de “O Duque e Eu”. Achei curioso. E quanto a ter escolhido esse conflito, Julia Quinn explicou o seguinte:

“Acho que Daphne revidou a desonestidade de Simon da forma que soube como. Não é certo, mas não é estupro porque ele quis também. Mas levando em consideração a época em que a história se passa, ela teria dado o troco na mesma moeda, assim dizendo”, explicou Julia Quinn.

Além dessa pergunta, iniciei o papo com Julia Quinn explicando que eu era uma daquelas leitoras feministas que achava que o gênero romance de época feria os direitos da mulher, que era bobo. Aí depois de ler doze livros dela Julia Quinn e de pesquisar sobre o gênero (aliás, SUPER recomendo o livro “Dangerous Books for Girls: The Bad Reputation of Romance Novels Explained” da Maya Rodale), vi o quanto estava equivocada.

Disse que entendi que o romance de época coloca a mulher como protagonista e não trata apenas do casamento ou do cara perfeito, mas do amadurecimento dos personagens e do felizes para sempre que sempre buscamos porque o merecemos. Todo mundo quer ser amado, desejado, respeitado, sem perder nossa individualidade.

E o bate papo correu daí de maneira descontraída e muito, muito legal! Conversamos sobre o gênero literário, falamos sobre situações engraçadas que aconteceram com ela, ela mostrou fotos da família (coisa que nunca faz), falou sobre o livro novo e muito mais! Vou colocar mais detalhes abaixo.

Depois do chá, ela autografou nossos livros, tirou várias fotos e eu dei uma de adolescente e entreguei para ela uma pulseira que eu, ela e Carina Rissi temos igual. Sim, eu tenho doze anos. HAHAHAH!

No dia seguinte foi o Conexão Jovem com a Julia na Bienal. Foi outra incrível experiência mediar esse bate papo. Vou colocar algumas perguntas que fizemos a ela aqui embaixo.

Já no domingo, foi dia de Julia Quinn e Carina Rissi na Livraria da Travessa. Um dos eventos mais gostosos que já mediei! A Carina é mega fã da Julia, a Julia ouviu muito sobre a Carina nos eventos que fez pelo Brasil, então estava super feliz de conhecê-la. Já eu sou fã das duas, então imaginem como eu fiquei! E o bacana é que, como ambas escrevem sobre romance de época (de maneira um pouco diferente para a Carina, cuja protagonista é do século 21 e que viaja no tempo), o papo fluiu de maneira entrosada e muito divertida. Eu super apoio um encontro para chá entre os Clarke e os Bridgertons, hein? Concordam?

No bate papo, fiz algumas perguntas e em seguida abri para a galera perguntar. Traduzi tanto as perguntas quanto as respostas e foi muito bacana e o pessoal se divertiu muito! No final, tiramos uma foto fofa das três com a pulseira. Heheheheh.

Depois do terceiro evento, jantei com a Julia Quinn e ela foi para o aeroporto voltar para a família. Conversamos mais um pouco, sobre literatura, mercado editorial, fanfiction e coisas do dia a dia, tipo casamento e educação de adolescentes e tal. Foi muito, muito legal!

Curiosidade: Embora Julia Quinn ache que Colin Firth seja o “verdadeiro” Mr. Darcy, ela gosta da ideia de ter um Mr. Darcy mais tímido, então tem uma quedinha pela interpretação de Mathew Macfadyen. E, claro, “Orgulho e Preconceito” é o livro de Jane Austen que ela mais gosta.

Confira abaixo algumas perguntas que foram feitas durante os três dias com Julia Quinn e se apaixone ainda mais por essa incrível autora!

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O gênero romance de época movimenta milhões de dólares no mundo, milhares de autores e leitores, mas por mais bem sucedido que ele seja, sofre muito preconceito de outros autores e leitores. Do topo dos mais de 10 best sellers do New York Times, o que você tem a dizer sobre isso?

“Acho que são livros escritos por mulheres, sobre mulheres e para mulheres e por alguma razão isso não é levado a sério. Os gêneros literários geralmente são julgados pelos melhores livros, mas com o romance, ele é julgado pelos piores exemplos e não sei o porquê. Mas nos Estados Unidos isso está mudando agora. Livros do gênero estão sendo resenhados em conceituados veículos da imprensa e acho que isso vai melhorar”.

Estamos falando de mulheres do século XXI lendo sobre mulheres do século XIX e encontrando força nelas. Nesse sentido, como você vê suas personagens femininas e as mensagens que você transmite por meio delas para as suas leitoras?

“Em primeiro lugar, sempre me considerei uma feminista. (aplausos de todos os presentes!) E já me disseram que eu não poderia ser uma feminista porque escrevo romances e que isso não é realista. Pessoas se apaixonam diariamente, como escrever sobre isso não é realista? Eu procuro escrever minhas personagens com características que admiro. Então minhas personagens femininas são todas muito espertas e com ótimo senso de humor e têm ambições, mas eu preciso manter a atenção no tempo histórico em que as histórias se passam para não ser incoerente. Por exemplo, não posso simplesmente escrever uma personagem que insiste em ir estudar em Oxford, porque na época as mulheres não frequentavam a faculdade. Então eu escrevo personagens que são fortes e vivem no seu mundo da melhor forma possível”.

O próximo livro será “Because of Miss Bridgerton”. Voltaremos à família Bridgerton, mas é uma série que se passará antes dos nossos queridos oito personagens. O que podemos esperar?

“Essa série ser passará antes da família que conhecemos e tem como protagonistas uma família vizinha aos Bridgertons. Conheceremos as famílias de Violet e Edmund antes do casamento. Quando anunciei o título, acharam que seria sobre os filhos dos Bridgertons, mas não quis fazer isso porque estaríamos na Era Vitoriana e não gosto de escrever sobre essa época. Então quis voltar no tempo e não seguir com ele. No momento só posso falar isso porque ainda nem acabei, mas espero que gostem!”

Além do amor romântico, seus livros lidam muito com temas como união da família e como a aceitação dela é importante. Individualidade, respeito …. acha que esses temas que podem fazer parte do motivo que mais jovens estão lendo romances de época mesmo não sendo eles o público-alvo?

“Acho que todo mundo é público-alvo para romance, com exceção de crianças mesmo. Mas acho que o que tem atraído os leitores é que o romance que escrevo não é apenas sobre duas pessoas, mas sobre a família e os amigos deles. É um mundo todo que foi criado e não somente um casal”.

Como você criou a Lady Whistledown?

“Eu precisava explicar algumas informações para leitores e para os personagens, mas não tinha como fazer isso de forma que não ficasse estranho na narrativa. Então o melhor artifício que encontrei foi achar uma personagem que soubesse de tudo para poder mencionar o que é necessário no momento que precisasse. Então foi criada Lady Whistledown.

Você tem uma personagem preferida?

“É difícil escolher um só porque amo as características de vários, mas tenho um carinho especial pela Lady Danbury. Eu quase a matei em um dos livros e fiquei contente em ter mudado de ideia. Agora gosto de mencioná-la sempre que possível!”

Curiosidade: Julia Quinn escreve de maneira cronológica e vai editando conforme vai escrevendo. Isso resulta em uma primeira versão praticamente fechada e sem necessidade de grandes alterações.

Curiosidade 2: Ela escreve fazendo esteira! Devagarzinho e só andando, mas vai escrevendo assim e, no lugar de ficar sentada durante horas, faz exercício durante horas e ainda consegue adiantar trabalho. Yay!

Quais as suas dicas para autores iniciantes?

“As vezes, escrever não é a sua prioridade. Muitos autores têm outros trabalhos, têm famílias e só podem se dedicar à escrita durante poucas horas diariamente. E tudo bem. Mas quando tiver esse tempo, escreva e realmente se dedique. Sempre digo isso: não existe outra forma de escrever um livro além de sentar (ou no meu caso, andar) e escrever o livro. O mundo está cheio de primeiros capítulos. Termine o livro.”

Tem como não amar?

2 comentários sobre “Três dias com Julia Quinn

  1. Oi, Frini!
    Ai que sonhooo, hein! Três dias com a Julia Quinn. Lacrou! rsrs
    Eu só li 3 dos livros da série dos Bridgertons, ainda falta ler os demais. Mas esses que li, eu amei demais, e entendo todo esse surto em torno da série, são histórias e personagens incríveis!

    Parabéns, e muito sucesso. Que você tenha sempre novas oportunidades.

    Beijos!
    Jaque.

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