Coluna

Livro como Diversão

Sou uma leitora inveterada, tenho até um site sobre livros, leio bem mais do que a média do brasileiro e tento sempre convencer pessoas a lerem mais e mais. Vivendo nesse universo literário um elemento sempre me incomodou e muito: a sacralização do livro.

Aqui no Brasil existe uma ideia difundida em toda a população de que o livro é algo sagrado e que deve ser venerado como tal. Livros são extremamente importantes, a leitura é capaz de expandir horizontes, de gerar empatia e mais tudo o que falam dela mesmo. O problema é que ao alçar os livros a esse patamar de divino coloca-o também no universo dos inalcançáveis, dos distantes.

Leitura tem diversos propósitos e entre eles está o de divertir, o de entreter e isso é esquecido quando se fala de livros. Você pode sim pegar um livro só para passar o tempo e ele pode ter sido feito só para isso mesmo. Pense nisso como você pensa em cinema, existem filmes cabeça e existem os filmes pipoca e não há problema algum em consumir ambos ou só um deles. Livro deveria ser visto assim também, há livros que são para consumo rápido, divertem e é isso. Essa ideia de livro para consumo rápido não os faz menor ou denigrem seus leitores.

Parece uma ideia simples e óbvia, mas não é. Existem toda uma narrativa de que livros, todos eles, vão transformar a sua vida. Há livros que transformarão a sua vida, há livros que você não vai terminar e há livros que serão ótimos para passar um tempo na praia enquanto toma um sol e só. Nunca entendi porque não podemos ter uma relação mais leve com os livros e a leitura, uma relação em que se aceita que existem livros que são feitos para passar o tempo e que não se pretendem mais do que isso. Por que não conseguimos ver os livros como  algo que pode apenas divertir? Não consigo entender essa sacralização.

 

 

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