Filme Resenhas Saiu das páginas Streaming

Moxie

Como alguém que cresceu movida a filme do John Hughes estou sempre em busca de bons filmes adolescentes para passar o tempo. Em tempos de pandemia filmes “sessão da tarde” são um refresco e isso não significa que eles sejam filmes bobos ou sem grandes mensagens, muito pelo contrário. Foi em busca de um bom filme leve que “Moxie”, filme dirigido por Amy Poehler, entrou no meu radar. Baseado no livro homônimo de Jennifer Mathieu que fala sobre como Vivian Carter, uma adolescente de 16 anos, cria uma zine que abala a estrutura social da escola que frequenta.

Se nos anos 1980 Hughes conquistou as plateias falando sobre os excluídos das estruturas sociais de highh schools americanas e criou clássicos como “O Clube dos Cinco”. “Moxie” é a evolução desse filmes, fala sobre as questões da adolescência, esses não mudam com o passar dos anos, mas se atualizam com o contexto dos tempos. É o patriarcado sendo questionado, estruturas que favorecem e privilegiam homens brancos heterossexuais. É nesse contexto que a protagonista Vivian começa uma pequena revista anônima e analógica que começa a questionar como as meninas do colégio são tratadas.

A revista feita com colagens e parcialmente inspirada nas experiências libertárias da mãe da protagonista, vivida por Emy Poehler, chama Moxie e inspira as adolescentes da escola a se unirem e reivindicarem tratamento igual ao dos rapazes e principalmente que suas vozes sejam ouvidas. É um movimento onde as adolescentes encontram apoio entre si para questionar e superar o machismo estrutural. O filme, bem alinhado com nossos tempos, não foge dos diferentes tipos de feminismo e isso faz bem a história. A diversidade das personagens, mesmo que a protagonista seja a personificação de garota americana (branca e loira), acrescenta ao debate que o filme apresenta, até mesmo os homens feministas não são deixados de fora.

“Moxie” não tem grandes atuações, não tem um roteiro incrível, o que faz dele um bom filme é o seu retrato do nosso tempo, do que os adolescentes que nasceram nesse século enfrentam, seus desafios. É um filme leve repleto de reflexões importantes, uma sessão da tarde dos anos 20.

Similar Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *