Coluna

Escrevendo a história da minha quarentena

Nas primeiras semanas da quarentena eu lembro de ter dito para minha equipe no trabalho algo como “vocês estão escrevendo neste exato momento a história da quarentena de vocês, vocês vão lembrar disso tudo. Então, façam o que vocês gostariam de lembrar”. Foi bem nível coach, eu sei, mas já costumo falar isso sobre a vida e estávamos numa reunião de vídeo tentando entender a nova realidade e o que aquilo significava para nós e para a empresa, e, bem…, eu senti que precisava oferecer umas palavras de estímulo para todo mundo continuar seguindo em frente, mantendo a rotina e não se entregar para a preguiça nem para o desânimo. Eu sabia que ia ser um momento divisor de mares.

É curioso que pouquíssimos dias depois o meu professor de Krav Maga falou a mesma coisa para os alunos. E eu admiro muito meu professor, então, na mesma hora, decidi que eu tinha falado a coisa certa, digna de coach ou não, não me importo. Afinal, ele havia dito também, e ele está sempre certo. =) Mais interessante ainda foi perceber que desde os primeiríssimos dias da quarentena, eu respiro, vivo e repito essa frase, quase como um mantra. “Estou escrevendo a história da minha quarentena. Que tipo de escolhas vou fazer?”

Ainda que a gente se desligue do tempo, das datas e mal saiba quando fez ou deixou de fazer algo, acredito que a grande maioria lembra exatamente o dia que começou esse confinamento. Para mim, foi no dia 17 de março, uma terça-feira. Nesse dia, acordei cedo, tomei café e resolvi que faria a cama (eu tinha preguiça de fazer a cama, juro!) e, qual não foi minha surpresa!, tenho feito a cama desde então. Quem diria que algo tão “pequeno” faria tanta diferença na minha vida.

Nesse dia decidi também que faria algum tipo de exercício em casa, já que não teria mais as aulas presenciais de Krav Maga nem natação por conta desse vírus boboca, e, guess what?, tenho feito exercício todos os dias desde então. Até padronizei uma série e um rápido aquecimento que gravo todos os dias para postar no Instagram (com datas ao fundo a fim de provar que não reaproveito os vídeos), pra ver se inspiro alguém a querer se exercitar também. Mas eu tô muito coach, migo. =)

Outra coisa que decidi incluir na rotina, aproveitando que acordo todo dia às 6h30, inclusive fins de semana, e minhas manhãs são suficientemente longas, foi o Italiano, que estou fazendo pelo Duolingo. 62 dias seguidos já. Buongiorno!

Uma coisa que eu me prometi foi que não ia deixar o corpo nem a mente desanimarem, não importasse o que acontecesse, eu precisava me manter em movimento e buscar a atitude mais positiva, sempre, caso contrário… não ia dar certo. Eu me conheço. Se eu me entregar, ferrou. Claro que sempre surge um estresse ou outro, ou vários, principalmente no trabalho, ainda mais quando se trabalha muitas horas por dia, mesmo sendo home office, então o negócio é se esforçar para permanecer verdadeiro e saber dividir o tempo para não enlouquecer.

Ajuda muito se organizar todos os dias com listas de tarefas diárias e semanais. De verdade. Vivo com planilhas abertas que eu alimento em tempo real, para não deixar nada acumular, e sempre que possível resolvo problemas e dúvidas na hora, porque se deixo pra depois os detalhes esfriam e aí, para responder, acabo levando mais tempo para relembrar tudo.

Eu sou aquela chata da otimização do tempo, que enquanto os segundos de publicidade do Duolingo estão rodando, estou fazendo a cama ou tomando café da manhã ou escrevendo as tarefas do dia. Tempo é o bem mais precioso, cara, nenhum segundo volta e cada momento conta. Não sei quanto a você, mas eu não pretendo desperdiçá-lo. Não que eu precise estar fazendo algo a cada minuto do dia. Óbvio que eu também descanso, medito, paro pra ver um episódio de série de vez em quando, mas sempre à noite, antes de dormir, e só depois de ter feito tudo aquilo que me propus a fazer durante o dia. =P (control freak alert!)

No mês de abril, li oito livros para o trabalho, agora em maio só li um, mas a rotina do dia não mudou at all. Em abril não consegui escrever nem criar nada, em maio consegui voltar a produzir um monte de coisa e reservei na agenda várias horas dos meus fins de semana para projetos pessoais (depois da faxina, da roupa lavada e do supermercado, claro). Enfim. Tudo é possível. Como já dizia um grande filósofo, se organizar direitinho, todo mundo transa. =P Se bem que, na quarentena, essa parte aí só quem é casado ou furão.

No entanto, meus caros, não pensem que tudo são flores. Como todos, eu também estou vivendo as fases da pandemia: bloqueio criativo, séries adolescentes (cof cof Vampire Diaries cof cof), nostalgia, chorar por bobagem, rir por bobagem, ansiedade, plenitude diante do incontrolável, muita comida e bolo e ifood, medo do futuro e do desconhecido… you name it!. Podem ter certeza que tô vivendo tudo isso. Só que neste momento estou muito mais preocupada em viver o melhor possível, porque não quero lá na frente olhar para trás e me arrepender de não ter feito o que gostaria de ter feito, então não permito que nada disso me atinja, a ponto de me desestabilizar; talvez, apenas o suficiente para justificar a terapia que faço toda semana. =)

E se nada disso importar no futuro, porque afinal o mundo está acabando não é mesmo, se tudo for inútil, e se o que estou fazendo for uma completa perda de tempo, eu ainda terei o piano, que pratico de 3 a 4 vezes por semana. Isso, meus amigos, ninguém pode dizer que é um desperdício de vida. Se nada mais bastar, eu fico com o resultado da prática desse instrumento maravilhoso como a história da minha quarentena. Feliz da vida.

E vocês? O que estão aprontando e qual a história que vão poder escrever desses tempos terríveis?

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