Todo meu amor ao Stephen King

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Também estou tendo um caso de amor com a série “Stranger Things” da Netflix. Porque ela homenageia os anos 1980 com um primor inacreditável, citando obras incríveis daquela época e, principalmente, Stephen King. Há muito dele por toda essa primeira temporada, algo que o próprio escritor comentou em seu twitter. Toda essa onda de nostalgia, ligada a série, me fez voltar ao início de tudo, quando aprendi a amar King. Por isso, decidi conversar sobre isso aqui em minha coluna. Destilar todo meu amor ao Stephen King, o escritor que me ensinou a amar, entender e respeitar o terror.

Logo quando comecei a colaborar com o Cheiro de Livro, escrevi uma homenagem a ele por causa do seu aniversário, em 2014. Lá explico todas as razões que me levaram a querer ler tudo o que ele já escreveu. Mas o que eu gostaria de acrescentar é o quanto é incrível admirar alguém em nosso tempo. Quando eu era mais nova, logo quando descobri os livros de King, ele não era muito conhecido no Brasil e havia um preconceito idiota em relação a escritores mais pop que vendiam milhões de cópias pelo mundo, os best-sellers. Seus livros chegavam com um certo atraso por aqui e com traduções bem ruins, mas mesmo assim devorei cada um que conseguia ler. “O Iluminado” quase me fez perder uma prova de matemática, porque eu precisava terminar o livro na noite anterior. “A Dança da Morte” aguçou minha predileção por história pós-apocalípticas e “A Hora do Vampiro” me ensinou o quanto ele podia ser cruel com seus leitores ao mesmo tempo que mostrava toda sua genialidade.

Passei anos admirando sua forma de contar uma história, muito detalhistas para alguns, mas com o tom certo para criar a atmosfera de seus livros, para mim. Amadureci com ele e segui por um caminho meio solitário sem ter com quem dividir esse amor. Até chegarmos ao futuro, onde estamos, com toda essa tecnologia que tornou o mundo bem pequeno e que me aproximou, não só de outros fãs ávidos como eu, como também (e isso é o mais incrível) dele. Não, não sou dessas loucas que acha que tudo que ele escreve em suas redes sociais são para mim, ou que esconde mensagens secretas que só eu entendo (hello! Annie Wilkes alert!), mas é maravilhoso saber o que ele pensa, perceber que ele também tem ídolos, predileções e que adora dividir isso com os fãs. Além da endiabrada Molly, né? Afinal quem não se derrete cada vez que ele compartilha uma foto ou vídeo da sua fofíssima corgi?

Me sinto bem mais próxima dele de certa forma, ao saber qual o próximo livro ele irá lançar, por conseguir ler entrevistas com ele, logo que são publicadas. Saber que ele amou “Stranger Things” assim como nós, comprar um livro porque ele indicou e até insistir numa série não muito boa só porque ele adora (“The 100”, ele ama. Pior que acabei viciando e tô ansiosa pela próxima temporada). Conseguir ler um livro que ele acabou de lançar e descobrir que é possível se apaixonar por sua escrita mais uma vez, já que ele decidiu se aventurar por um novo gênero e acabou escrevendo um dos melhores policiais que já li: “Mr. Mercedes”. Ficar feliz por perceberem que “It” merece uma versão cinematográfica melhor e ficar apreensiva ao mesmo tempo que animada com um filme para a saga “A Torre Negra”.

Mas o que me deixa mais feliz é perceber que o mundo também o ama, ou pelo menos o respeita. Que entende a sua importância. É maravilhoso ver uma série tão inovadora como “Stranger Things” se referir a momentos tão icônicos dele em uma homenagem que ele merece. É uma sensação incrível assistir tudo isso acontecer, ver seu autor favorito ganhar todo o reconhecimento que ele merece, continuar crescendo com ele, se emocionar e se surpreender a cada novo livro, a cada nova notícia. Essa pode ser uma proximidade falsa, mas, mesmo assim é incrível poder se sentir parte de todo o processo.

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