Uma História de Rabos Presos

Ruth Rocha é, de longe, minha autora preferida da infância. “Uma História de Rabos Presos” é o meu preferido dela, o primeiro livro que li e percebi que se tratava mais do que uma história. Ganhei o meu com meus oito anos, assim que foi publicado, e tenho ele na minha estante desde então. Foi dos livros da infância de que não me desfiz, pelo contrario, há uns anos até agreguei  valor ao autografa-lo.  Por causa do meu pequeno clube de leitura resolvi pegar o meu exemplar e relê-lo. É incrível como não parece que se passaram quase 30 anos, infelizmente.

A cidade onde se passa a história tem o sugestivo nome de Egolândia, um certo dia os mais ricos e poderosos da cidade começam a desenvolver um estranha doença, eles desenvolvem rabos. A doença tem um segundo estágio quando a ponta dos rabos se dividem e se prendem a outros rabos. Quanto mais poderosos mais pontas o rabo tem. O prefeito, o vereador, o fazendeiro, o dono da farmácia, o secretário de obras, todos tem rabos presos com outras tantas pessoas. Os rabos passam a cruzar as linhas do município e tornar-se rabos estaduais e até federais. Em um dado momento os rabos estão tão enrolados que ninguém mais consegue se movimentar e os cidadãos que não desenvolveram rabos resolvem pegar aquele monte de gente poderosa e imóvel e colocar no único lugar onde todos eles cabiam: na cadeia.

Qualquer semelhança com o que vivemos hoje na nossa política não é mera coincidência e essa é a beleza desse livro, ele mostra de forma bem simples o que são rabos presos e como eles prejudicam a vida da população. Foi escrito em 1989, antes da primeira eleição direta depois de 25 anos de ditadura militar, o triste é constatar que nada mudou, que nossa política continua sendo feita com conchavos, com trocas de favores, com propinas. Os rabos hoje são expostos em gravações e geram processos. “Uma História de Rabos Presos” é dessas leituras que deveriam ser obrigatórias.

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