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A Máquina do Ódio

Eu li “A Máquina do Ódio” em dois dias e demorei mais de semana para conseguir sentar e escrever sobre ele. Minha lista de tópico para tratar aqui era enorme, não parava de acrescentar itens e isso depõe a favor da importância do que Patrícia Campos Mello escreve. O efeito nefasto do discurso de ódio nas redes sociais, o ataque sistemático às instituições, à imprensa e a pessoas, como a própria autora do livro, é tema primordial do nosso tempo. Na era em que as pessoas pararam de acreditar em ciência, em jornalismo profissional e que acreditam que cancelamento é uma boa forma de ação, esse livro é mais do que necessário.

“A Máquina do Ódio” começa com o relato pessoal de Patrícia falando sobre os ataques que passou a receber virtual e presencialmente depois de escrever uma matéria na Folha de São Paulo sobre o disparo ilegal de mensagens de whatsapp durante a campanha presidencial de 2018. Dois anos se passaram desde a publicação da primeira matéria e mesmo assim as mentiras, até mesmo em depoimentos no Congresso, e os ataques continuam. Os ataques são mais cruéis com as jornalistas mulheres e isso diz muito mais sobre quem ataca do que sobre o alvo.

Patrícia escreve sobre Fake News, seus efeitos nefastos nas democracias, nas instituições, na vida pessoal. Seu livro dialoga com o “Como as Democracias Morrem”, mostra como os golpes não precisam de taques nas ruas, como o discurso de ódio dominam o mundo digital, como o jornalismo profissional tem sua parcela de culpa. Enfim, pinta um cenário nada animador mostrando outras democraduras (Hungria, Venezuela, entre outras) que conseguiram se estabelecer usando essa máquina que ela vai desmascarando a cada página.

As redes sociais, no seu nascimento, foram vistas como uma forma de comunicação e informação eficaz, uma ferramenta facilitadora. Demorou um pouco mas foi descoberta uma forma, ou melhor, formas de utilizá-las para sequestrar o debate público, despejar mentiras, destruir instituições e atacar pessoas. Tudo isso é possível contando com a total falta de educação digital da maioria da população, inclui-se aí legisladores e jornalistas, e com a inércia das big techs. Empresas que lucram com esse modelo de negócio que favorece e facilita essas máquinas.

O livro mostra as táticas usadas na Hungria, na Polônia, na Índia e em alguns outros países que tiveram suas democracias abaladas ou aniquiladas por dentro.  É assustador ler sobre o processo que levou esses países a se transformarem em democraduras, ou seja, ditaduras que foram instituídas no voto de destruídas por dentro.

Desde 2018 eu faço uma campanha com meus amigos que tem dois pontos:

  1. não use o termo Fake News, as pessoas não entendem o que você está falando, elas acham que significa algo que é contrário a algo ou alguém que elas apoiam. Quer dizer que é mentira, diga que é uma mentira deslavada.
  2. pague pelo jornalismo profissional. Não importa qual a vertente do veículo que você vai apoiar, importa que seja um veículo profissional de jornalismo, não um blog que apoia A ou B cegamente. Pague pelo conteúdo. Jornalismo é uma instituição essencial a qualquer democracia, jornalismo independente é, cada vez mais necessário e isso tem custo e nós, como sociedade, temos que ter consciência disso e fazer a nossa parte.

Para falar tudo que é preciso falar sobre “A Máquina do Ódio” e os debates que sua leitura suscita eu teria que escrever bem mais do que cabe nesse post. Leia esse livro, ouça ou veja a Patrícia aqui, aqui e aqui.

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