Coluna

Nó Cego

2020, o ano em que a realidade se impôs. Na era das mentiras (detesto o termo fake news), da pós verdade um vírus sujeitou o mundo todo (isso não é uma generalização) à uma mesma realidade: a pandemia. Não importa se a pessoa acredita ou não nos dados científicos, se usa ou não máscara, se que ou não tomar vacina, o fato é que a vida de todos foi afetada, drasticamente, pela covid 19. Chega a ser irônico.

2020 foi também o ano em que o Cheiro de Livro completou uma década de existência. Tínhamos muitos planos para celebrar esses primeiros 10 anos e, como todos, fomos atropelados pelos fatos. Os posts tornaram-se parcos e sem a regularidade habitual. A pandemia destruiu nosso planejamento.

2020 é também o ano em que li muito pouco, menos de 20 livros em um ano é, definitivamente, um recorde negativo no meu histórico particular. Tive uma certa overdose de realidade nas minhas leituras, não consegui me concentrar em ficção quase nenhuma. Devorei livros reportagens em horas e demorei meses para terminar poucas páginas de ficção.

Um ano atípico que tendo a ver como um freio de rearrumação mundial antes de entrarmos na segunda década desse século. Tornou-se lugar comum falar do novo normal e de como queremos que o velho normal volte. É sempre bom lembrar que o velho normal não era assim tão legal e que podemos estar diante de uma possibilidade única na vida que é a de construir um normal diferente e melhor. Encontrar quem gostamos sem o intermédio de uma tela está na minha lista para voltar a fazer parte do meu normal, definitivamente.

Em poucos dias o calendário vai virar e 2020 ficará para trás. As consequências do que aconteceu nesses meses ainda terão repercussão por muito tempo, anos, provavelmente. Não é a mudança de ano que vai fazer tudo se transformar, há um caminho pela frente, um longo caminho.  

Mesmo em um ano tão louco que requereu e ainda requer de nós uma enorme capacidade de adaptação e largas doses de paciência há sempre conquistas pessoais que podemos comemorar. Eu tenho as minhas e considero que em 2020 elas chegaram embrulhadas em um nó cego, desses quase impossíveis de serem desatados. O que importa e que mesmo no meio do caos, onde, inacreditavelmente, ficou comprovado que todos os roteiristas de filmes de zumbis estavam certos, há o que se celebrar e, se 2020 nos mostrou algo, se deve celebrar e não deixar para o incerto amanhã.

Que venha 2021, dá nossa parte aqui no Cheiro de Livro queremos voltar a ler mais, escrever mais, celebrar os dez anos do site.

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