Coluna

O presente que o futuro nos dá

Acho que já falamos demais o quanto 2020 foi bizarro, ruim, desastroso para muitos e introspectivo, transformador e inovador para outros. Eu sei. Esse ano me afoguei tanto em nostalgia, que agora o que eu mais quero é o futuro. Revi todas as séries que eu precisava rever: Buffy, Angel, Dawson’s Creek, Vampire Diaries, Smallville, até Arquivo X e Lost eu comecei no meio da pandemia, mas está na hora de olhar (mais) para frente. E com isso não quero dizer (apenas) assistir à Mandalorian (que consertou Star Wars cof cof), mas entender que o futuro é todo dia e, ainda que a gente não esteja preparado para ele, precisamos querer vivê-lo, sem aquela âncora que insistimos em deixar no passado.

Nós buscamos o que era seguro esse ano, ao olhar para o passado já vivido, porque a realidade nos pegou de surpresa. O mundo era “normal” e nós podíamos ser diferentes, viver como excêntricos, agir de forma espontânea. Quando o mundo virou de pernas pro ar, nós tivemos que abraçar nossa paciência, nossa insignificância, nossa “normalidade”, e nos adaptar. Perdemos pessoas queridas, amigos, familiares, pessoas próximas e conhecidos que eram queridos de outras pessoas, e só o tempo vai nos ensinar a conviver com a dor de perder esses entes queridos, não tem como não reconhecer essa realidade. Tudo isso é sabido.

Então, como vocês já estão cansados de falar de 2020 e do “novo normal”, eu só vou dizer mais uma coisa que acho que vale a pena reforçar pra fechar esse ano e pra deixar registrado aqui na última coluna de 2020:

“Jump, and you will find out how to unfold your wings as you fall.”
Ray Bradbury

Se você não aprendeu a pular ainda, você não viveu o mesmo 2020 que eu vivi. Acho que vivi dez anos comprimidos em 12 meses. Ninguém sobreviveu. Porque nascemos de novo e nos tornamos pessoas completamente diferentes da que éramos quando o ano começou. É assim todo ano, a cada acontecimento e escolha, mas agora mais que nunca.

Essa frase de Ray Bradbury, e de muitas outras pessoas, de alguma forma sempre esteve comigo. Desde pequena faço o que ele diz acima. Eu pulo. Enquanto caio, descubro como abrir as asas. Certo ou errado nunca me importou muito. Minha preocupação maior é a experiência que vem com as minhas escolhas e o que eu aprendo com elas. No fim de tudo, o que importa é em quem eu me transformo.

A gente acha que está preparado para alguma coisa, mas o presente que o futuro nos dá sempre nos pega de surpresa. Ninguém está pronto. Cada experiência e cada momento da nossa vida nos diz como agir e nos mostra quem fomos e quem poderíamos ser. A gente faz escolhas que nos definem quando o momento se apresenta.

Muito mais importante do que a dor que senti, de tudo que passei, do quão desastroso ou inovador e transformador 2020 tenha sido pra mim, é saber que eu posso contar comigo, sob qualquer tipo de crise, para pular, sem ter medo de descobrir, só no meio do caminho e em queda livre, que sei como abrir as minhas asas.

Eu desejo a todos um Feliz Natal e que esse ano tenha trazido um grande aprendizado digno de todo mar revolto para todos nós, apesar de tudo.

2021 vai ser melhor, gente. Tem que ser.<3

Use máscara, respeite a si mesmo e o próximo, ame muito e abra e olhe para o seu presente sem medo. Ele é tudo o que você tem de verdade.

#Fui

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One thought on “O presente que o futuro nos dá
  1. De fato… Mesmo quem se recusou a aceitar que estávamos em uma crise e tentou se manter “normal” teve que mudar, nem que tenha dado sorte de ninguém próximo sofrer ou morrer, para sustentar a alienação da realidade tão ostensiva no Brasil…

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