Filme Prêmio

O Oscar da Diversidade

Stephen King (sim, eu consegui citar o King num post sobre o Oscar) fez um comentário super certeiro sobre a cerimônia do Oscar no Twitter, que grande parte da imprensa especializada em cinema passa um tempão comentando sobre quem vai concorrer ao Oscar, mas quando chega a premiação, todo mundo reclama que foi óbvia e tediosa, e é isso, o Oscar, pra quem ama cinema, é a premiação que a gente mais ama odiar. Então, é óbvio que agora vamos comentar sobre a última edição, que aconteceu domingo, dia 25 de abril – um pouquinho mais tarde do que o normal.

Por causa da Pandemia, esse ano as premiações estão acontecendo em formatos diferentes e um pouco mais tarde do que as datas que costumam acontecer. O Oscar, que normalmente faz sua cerimônia no ínicio de março, esse ano foi empurrada para o fim de abril e ganhou uma versão “pocket” com apenas os concorrentes presente e uma edição super enxuta. Ao contrário do suntuoso teatro em que normalmente acontece, esse ano teve um formato cabaré, com mesas que lembravam bastante o estilo do Globo de Ouro. Muita gente estranhou e reclamou desse formato, eu vou confessar que curti muito. Achei que funcionou bem e, vamos combinar, que por mais que eu ame o glamour do Oscar, acho que ninguém ainda tem clima pra festa e ver milhares de pessoas aglomeradas. Dessa forma, essa edição intimista, com todos os cuidados para manter o distanciamento social combinou mais com o tempo em que estamos vivendo.

Se ano passado o Oscar já surpreendeu todo mundo ao dar os principais prêmios, de melhor filme e melhor direção, para o filme coreano Parasita e seu diretor, Bong Joon-Ho, esse ano havia uma certa excitação em saber se a Academia continuaria sendo justa e focada na importância de tornar a festa cada vez mais diversa. Felizmente eles seguiram em frente e nesse ano mais uma vez o Oscar fez História ao premiar a diretora chinesa Chloé Zhao. Zhao foi a segunda mulher em 93 anos de premiação, a ganhar por melhor direção, além de ser a primeira mulher asiática a ganhar o prêmio. Um marco que a gente comemora com muito orgulho, principalmente por conta do talento de Zhao, como ficou claro em Nomadland, filme que dirigiu e que levou o prêmio de melhor filme. Merecidíssimo!

Poucas surpresas aconteceram durante a premiação, mas em seu ano mais focado na diversidade, foi muito empolgante ver Daniel Kaluuya levar o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante pelo maravilhoso Judas e o Messias Negro, que também ganhou o Oscar de melhor canção. Prêmio dado a cantora H.E.R. de apenas 23 anos e que desponta como uma das mais promissoras cantoras desse ano. Assim como a atriz sul-coreana Youn Yuh-Jung ganhou como Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação em Minari e foi a primeira atriz asiática a ganhar o prêmio. Curioso ver que nesse ano as duas grandes surpresas do Oscar foi ver dois atores brancos ganharem os principais prêmios, Frances McDormand levou o de Melhor Atriz por sua atuação em Nomadland e Anthony Hopkins ganhou o de melhor ator por sua atuação em Meu Pai. Talvez a verdadeira surpresa foi descobrir que esse ano foi descobrir que a premiação de melhor filme aconteceu antes de Melhor Atriz e Melhor Ator, o que levou muita gente acreditar que talvez Chadwick Boseman ganharia um Oscar póstumo por sua atuação em A Voz Suprema do Blues, mas acabou com o anúncio do prêmio para Hopkins, que nem estava presente e nem acordado para agradecer remotamente. A vantagem é que nessa manhã ganhamos um vídeo super fofo do ator, direto do País de Gales, agradecendo ao prêmio, muito surpreso e ainda homenageou Boseman.

Talvez a verdadeira surpresa tenha sido assistir várias produções da Netflix levar prêmios como o de Melhor Curta de Animação, Melhor Curta-Metragem e Melhor Documentário. A seguir a lista com todos os premiados da noite:

Melhor filme

Nomadland

Melhor direção

Chloé Zhao (Nomadland)

Melhor ator

Anthony Hopkins (Meu pai)

Melhor atriz

Frances McDormand (Nomadland)

Melhor ator coadjuvante

Daniel Kaluuya (Judas e o Messias Negro)

Melhor atriz coadjuvante

Youn Yuh-jung (Minari)

Melhor filme internacional

Druk – Mais uma rodada, Dinamarca

Melhor roteiro adaptado

Christopher Hampton e Florian Zeller, por Meu pai

Melhor roteiro original

Emerald Fennell, por Bela vingança

Melhor figurino

Ann Roth, por A voz suprema do blues

Melhor trilha sonora

Trent Reznor, Atticus Ross e Jon Batiste, por Soul

Melhor animação

Soul

Melhor curta de animação

Se algo acontecer… te amo (Netflix)

Melhor curta-metragem de ficção

Dois estranhos (Netflix)

Melhor documentário

Professor polvo (Netflix)

Melhor documentário de curta-metragem

Collete

Melhor som

Nicolas Becker, Jaime Baksht, Michelle Couttolenc, Carlos Cortés e Phillip Blath, por O som do silêncio

Melhor canção original

Fight for you – H.E.R. (Judas e o Messias Negro)

Melhor cabelo e maquiagem

Sergio López Rivera, Mia Neal e Jamika Wilson, por A voz suprema do blues

Melhores efeitos visuais

Andrew Jackson, David Lee, Andrew Lockley e Scott Fisher, por Tenet

Melhor fotografia

Erik Messerschmidt, por Mank

Melhor edição

Mikkel E.G. Nielsen, por O som do silêncio

Melhor design de produção

Donald Graham Burt e Jan Pascale, por Mank

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