Crônicas de Gelo e Fogo – O Festim dos Corvos

Depois da tempestade… A calmaria? Não com George R. R. Martin.

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Que me desculpem os fãs fanáticos da série Crônicas de Gelo e Fogo (eu mesma sou uma), mas “O Festim dos Corvos” é, de longe, o meu menos preferido de todos. Dizem que depois da tempestade sempre vem a calmaria, e talvez tenha sido esse o efeito em mim. “A Tormenta das Espadas” (livro anterior) é tão intenso, com acontecimentos tão emblemáticos e tantas tão inesperadas mortes, que parece que eu comecei a ler o livro com a impressão de que algo muito, mas muito surpreendente teria que acontecer para que eu me chocasse novamente.

Eu sei, eu sei. Em “Guerra dos Tronos” a gente termina o livro com exatamente esse sentimento. Daí vem a “Fúria dos Reis” e mostra que as coisas podem ficar ainda piores e que coisas ainda mais improváveis podem acontecer e, nas últimas páginas, esse sentimento fica ainda mais forte. “Não pode me surpreender mais”, você pensa. Então “A Tormenta das Espadas” vem e esfrega na sua cara que Martin não tem pena, e que mesmo o que você achava que estava salvo, não está. As tramas que você achava que simplesmente iam se desenrolar, tem fins tão surpreendentes que você tem que ler de novo pra acreditar que aconteceram. E o fim, meu deus, o fim do terceiro livro é um tapa tão forte na sua face que você fica chocado por uns bons vários minutos.

O que esperar então do quarto livro? Você já está escaldado. Você prepara a outra face. Você agora tem nervos de aço e não se apega a mais nenhum personagem e sabe que nenhuma trama é previsível. Você respira fundo e começa a ler o Festim já pensando que qualquer coisa de muito pior e improvável vem por aí. Qual não foi a minha surpresa ao achar esse livro quase um tanto quanto tedioso. Não porque as reviravoltas não existam, não porque não surjam personagens novos, não porque as tramas não se desenrolem, nem porque as pessoas não morram. Acho que Martin me acostumou mal mesmo. “O Festim dos Corvos” é um livro ainda mais denso (isso é possível?), ainda mais focado nas intrigas por baixo dos panos, nos planos maquiavélicos, ainda mais profundo nos sentimentos e percepções dos personagens. As espadas ainda estão lá, o sangue ainda jorra, os punhos ainda se encontram, mas se “A Tormenta das Espadas” é o retrato de massacres do início ao fim, “O Festim dos Corvos” é o relato de um jogo de xadrez. Ainda interessante, instigante, surpreendente, e genial, mas um tanto quanto “parado” (muitas aspas nisso) se comparado aos seus antecessores.

Vale lembrar que originalmente o quarto volume da série era “A Dança dos Dragões”, mas a história cobria um período de tempo tão longo que se tornou um livro grande demais para ser publicado, como Martin não queria dividir o período relatado ao meio, ele optou por dividir a mesma trama em dois grupos de relatos, a partir do lugar em que estão os personagens. Enquanto “A Dança dos Dragões” (quinto volume) ficou com a percepção dos personagens do Norte e do outro lado do mar estreito, “O Festim dos Corvos” conta a perspectiva dos personagens do Sul dos Sete Reinos. O enredo dos dois corre paralelamente, e o enredo em si não se divide, abordando o mesmo período de tempo (ambos começam logo após de “A Tormenta das Espadas”). Por isso, não se decepcione ou fique desanimado se você não tiver muitas notícias de alguns personagens por enquanto, como Daenerys Targaryen ou Jon Snow, é simplesmente angustiante saber que as coisas estão acontecendo com eles e você não tem como saber por seus olhos exatamente o quê, mas o conforto é que suas histórias estão todas no tomo seguinte. Então tenha o livro cinco logo por perto assim que terminar este, porque, se em comparação com os anteriores, “O Festim dos Corvos” pode ser considerado quase uma calmaria, a verdadeira tempestade está na edição seguinte.

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