História de quem foge e quem fica

No terceiro livro da série Napolitana, “História de quem foge e quem fica” (tradução: Maurício Santana Dias), é uma história centrada em Elena e não em Lila e na amizade das duas. É uma mudança bem vinda na narrativa que continua tão precisa e envolvente como na primeira página do primeiro livro.

A adoração de Elena por Lila, a comparação eterna e a atribuição de poderes sobre a vida da narradora me irritavam um pouco. Elena tinha nos dois primeiros livros (Amiga Genial e A História do Novo Sobrenome) quase uma fixação por sua amiga de infância. Aqui ela começa a se libertar e, por mais que a série de livros seja uma especie de vingança contra Lila, olhar para si. Passa a se analisar melhor e para com as comparações com a amiga. É o livro que passa mais tempo falando de si, de sua vida, das consequências de suas escolhas.

São os anos 1970 em uma Itália e mundo em transformação e Elena começa a sentir as mudanças e tentar entende-las em si e em sua vida. Seus questionamentos sobre o papel da mulher, sua analise de como seu marido Pietro a anula, de que o papel da mulher na sociedade é moldado desde sempre pelos homens. Questionamentos bem femininos e que estão ali em meio a uma jornada de Elena tentando se encontrar no mundo depois do casamento, da maternidade e do efêmero sucesso como escritora.

Elena sempre me pareceu um personagem mais interessante do que Lila e finalmente ler mais sobre ela, entende-la melhor longe de suas origens e da vida conturbada da amiga foi um bálsamo. Ferrante consegue envolver o leitor, é quase impossível colocar o livro de lado. Já comecei a ler o último livro da série e estou com aquela sensação de todo o leitor que começa a chegar ao fim de uma obra: quer saber o que acontece e não quer que acabe ao mesmo tempo.

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