A Wizard of Earthsea (O Feiticeiro de Terramar)

Sparrowhawk, um jovem talentoso, e sua jornada para se tornar o mais poderoso mago de Earthsea. Essa é a história contada pela quase desconhecida no Brasil Ursula K. Le Guin.

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Essa é mais uma das historias de como os livros vem parar na minha mão. Eu acho que a experiência de ler um livro começa nesses roteiros tortuosos que nos levam a eles.

A primeira vez que me deparei com o nome de Ursula K. Le Guin foi em um texto sobre C.S. Lewis, não era nada muito chamativo mas era elogioso e me fez guardar o nome. Anos se passaram e assistindo ao bom água-com-açúcar “Jane Austen Book Club” lá estava o nome novamente. A referência anterior ganhou uma estrelinha na minha lista mental, mas não foi ai que comecei a ler sua obra. Em uma visita a Livraria Cultura do centro do Rio tive pela primeira vez um livro da Le Guin nas mãos, só não foi comprado porque era muito caro. Era terceira vez que ela cruzava o meu caminho então fui para o computador buscar na Amazon um e-book dela. Comprei “A Wizard of Earthsea” por puro acaso e a escolha foi perfeita, é o primeiro de uma saga, a saga de um jovem e poderoso mago.

Le Guin lançou o livro na década de 1960, muito antes de Harry Potter, e fala sobre a formação de um jovem mago. Um adendo importante nessa história é que um editor encomendou para Le Guin uma historia para “old kids”, ou seja, é o começo da literatura hoje conhecida como YA (Young Adult). Ged é muito pobre e jovem quando começa a usar os seus poderes. É claro desde o primeiro momento que é muito poderoso e um prodígio. A primeira metade do livro é sobre a formação de Ged como mago. Primeiro como aprendiz de um poderoso e recluso mago e depois em uma escola de magia. Durante todo esse processo vamos conhecendo o mundo criado por Le Guin, um mundo dividido em ilhas, onde as viagens são feitas pelo mar. É um mundo em que ser mago é profissão, eles são contratados em navios e em cidades para segurança da população. É uma concepção bem diferente do que temos nos livros com mágicos de hoje em dia.

Nessa primeira metade temos um típico adolescente nas paginas. Ele é arrogante, confiante em seu poder e sem uma grande noção de consequências. É essa última característica que desencadeia a saga de Sparrowhawk, como Ged é conhecido. No momento que chega a escola de magia ele conhece seu rival, não existe uma explicação do porque da rixa, é uma daquelas coisas que acontece na adolescência, uma antipatia mutua e inexplicável. A disputa entre os dois leva Sparrowhawk a provar seu poder chamando o mundo dos mortos. Qualquer pessoa familiarizada com historias de fantasia sabe que nada de bom vem quando se chama o mundo dos mortos. Junto com o morto chamado vem um ser poderoso, assustador e sem nome. Um elemento importante na magia de Earthsea é a importância do nome das coisas, só se tem poder sobre alguma coisa quando se chama ela pelo seu verdadeiro nome. É o poder da palavra governando um universo. Voltando ao ser do mal que Sparrowhawk liberta, ele não pode ser controlado porque ninguém sabe o seu nome.

É nessa segunda parte da historia que a saga realmente se inicia. Primeiro, nosso herói caído, tem que se recuperar da queda. Terminar o seu curso e ter forças para tentar viver com a culpa por ter trazido ao mundo uma espécie de demônio. Aqui começa também a parte bem mais profunda do livro. Não quero contar spoiler, mas a jornada que Le Guin constrói é bem mais profunda do que apenas a caça a um demônio. É o crescimento de um jovem adulto, o enfrentamento de seus medos, a importância da amizade e o poder que damos aos nossos próprios demônios. É, de certa forma, um romance de formação. Sparrowhawk cresce diante dos nossos olhos.

O ritmo é meio lento e, tenho que admitir, que tive alguma dificuldade de seguir em frente nas páginas. Mas a dificuldade vale a pena ser enfrentada “A Wizard of Earthsea” é um grande livro. Com um final que não esperava e ao mesmo tempo que faz todo o sentido.

Tão importante de ler quanto o livro é o prólogo de Le Guin. Além de contar como escreveu o livro e como os personagens tem vida própria, ela fala sobre as cenas de guerra em historias de fantasia. Sempre ouvi que mulheres não sabem escrever cenas de batalha e é isso que falta nos livros de fantasia escrito por elas. Le Guin deve ter ouvido o mesmo argumento porque discorre com maestria sobre o tema. Fazendo um resumo bem fraco, ela diz que uma guerra é uma solução muito simplista, que o mundo não é dividido entre o bem e o mal e que por isso seus livros tem outra estrutura. Eu gosto de uma boa cena de batalha, mas a argumentação dela é ótima.

Le Guin me conquistou não só pela historia mas também pelas explicações e reflexões que oferece aos seus leitores. Seus livros já estão na pilha para leitura e baixados no Kindle.

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2 pensamentos em “A Wizard of Earthsea (O Feiticeiro de Terramar)”

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