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Belo Mundo, onde você está

Sally Rooney me encantou com “Pessoas Normais” e não saiu mais do meu radar. Fiquei aguardando o novo livro chegar por aqui e assim “Belo mundo, onde você está” (tradução de Débora Landsberg) que chegou na minha mão mergulhei no confinamento, típico de da escritora, de um pequeno grupo de pessoas.

Alice e Eileen são nossas protagonistas. As amigas a beira dos 30 anos nos confinam ao mundo delas, Os capítulos se alternam entre a vida delas e os e-mails trocados. Primeiro quem hoje em dia envia e-mails como se fossem longas cartas? Aparentemente apenas as personagens de Rooney. Tirando essa estranheza a conversa epistolar delas é um retrato de pessoas brancas europeias autocentradas. Sim, as conversas são inacreditáveis, o papo sobre a era do bronze não sobreviveria a uma mesa de bar. Dito isso, há momentos maravilhoso nesses mails, o meu preferido é quando elas falam sobre a cultura de celebridades, é uma analise exata do que acontece nas redes hoje em dia.

Fora os e-mails o que seguimos é a vida amorosa das duas. É nesse momento que entram Felix e Simon, o primeiro representa os romances contemporâneos e a ajuda que os apps dão a eles e o segundo todos os romances consagrados, aqueles em que o príncipe encantado mora ao lado e ama a mocinha desde sempre mas a vida vive atrapalhando. Eileen e Simon chegam a enervar o leitor de tanto vai e vem e total incapacidade de comunicação. Já Alice e Felix é algo mais direto. Felix tem uma construção muito estranha e suas perguntas funcionam para o livro mas soam meio falsas em uma conversa normal.

Rooney nos confina a vida e a visão de mundo dessas pessoas e só delas, não existe um mundo além dessas pessoas. Esse é o talento de Rooney: te deixar feliz preso mesmo durante uma pandemia. Os personagens não são as pessoas mais simpáticas e, mesmo assim, nós continuamos lá felizes por centenas de páginas os seguindo.

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