Filme Saiu das páginas

DUNA (filme 2021)

Entre 2018 e 2019 acompanhamos o desfile de estrelas que estariam no elenco da nova adaptação de Duna (Dune – EUA, 2021), dirigida por Denis Villeneuve. Nomes como Timothée Chalamet, Rebecca Ferguson, Oscar Isaac, Josh Brolin, Stellan Skarsgård, Zendaya, Charlotte Rampling, Jason Momoa e Javier Bardem aumentavam cada vez mais o hype em cima do filme a cada um que era revelado, além de ter o próprio Villeneuve por trás das câmeras, já que o diretor provou com “A Chegada” e “Blade Runner 2049” que ele era um nome perfeito para realizar um remake dessa importância.

Porém 2020 veio e atropelou a gente, com uma pandemia que parou tudo, fechou cinemas, deixou a indústria do entretenimento em crise e o futuro de filmes do porte de Duna era incerto. Outras grandes produções decidiram ir para as plataformas de streaming, mas como lançar um filme com a amplitude visual de Duna no streaming? Especulações, mal entendidos, um diretor frustrado e o filme acabou tendo seu lançamento adiado. Mas será que toda a empolgação em relação ao filme acompanharia esse adiamento. Bom, descobriremos nesse fim de semana quando o filme finalmente chega aos cinemas, em um mundo bem diferente daquele de 2019, onde ainda é preciso ter muito cuidado ao pensar em entrar em uma sala de cinema fechada. O que posso dizer é, se você planeja escolher um filme para ver no cinema, esse é o filme.

Essa é a primeira parte da adaptação de duas partes do livro Duna de Frank Herbert, lançado em 1965, e apesar da boa recepção que Denis Villeneuve teve em embarcar nessa produção, ele teria que seguir os passos de outro nome de peso, David Lynch, responsável pela adaptação de 1984. Criticada por alguns fãs e adorada por outros, a versão de Lynch é, sem dúvida, um grande experimento cinematográfico como só o diretor é capaz de realizar, cultuado até hoje. Assim que Villeneuve foi anunciado como o diretor da nova adaptação começou a especulação se ele respeitaria e faria uma homenagem ao filme de Lynch e mais, se ele teria alguma inspiração na também cultuada adaptação de Alejandro Jodorowsky, que nunca saiu do papel, mas que é citada até hoje e ainda ganhou um documentário em 2013.

Enfim estamos aqui em 2021 e Duna de Denis Villeneuve é uma realidade e uma bem feliz, porque o filme é uma excelente adaptação do livro de Herbert. Com roteiro de Villeneuve, Jon Spaihts e Eric Roth, fica claro que eles sabem contar uma história, mesmo que seja uma tão rica e cheia de tramas paralelas como essa.

No ano de 10191 a substância mais preciosa do universo é a especiaria, capaz de estender a vida humana, aumentar a consciência e tornar mais fácil a viagem pelo universo. Encontrada nas dunas do planeta Arrakis, que por anos foi governado pelo Barão Harkonnen. Mas o Imperador decide que Leto Atreides deve ser o novo responsável por Arrakis e a extração da especiaria. Mesmo percebendo que aquela é uma armadilha, Leto se muda para Arrakis com toda sua corte e sua família: Lady Jessica, uma vidente Bene Gesserit e seu filho Paul Atreides, que tem uma ligação muito forte com Arrakis e a especiaria. Após a traição do Imperador acontecer, Paul e Jessica fogem para o deserto hostil de Arrakis, que pode chegar a temperaturas acima de 60 graus Celsius durante o dia, além de ser o habitat dos gigantescos vermes da areia. Mas Paul sabe que seu destino está ligado ao deserto, à especiaria e aos Fremens, o povo que vive em Arrakis.

Com uma fotografia incrível, assinada por Greig Fraser e trilha sonora de Hans Zimmer, o Duna de Villeneuve homenageia em alguns momentos a estética do filme de Lynch ao mesmo tempo que cria um universo muito particular e muito mais condizente com ao mundo plural criado por Frank Herbert. Se no filme de Lynch há um desconforto em ver pessoas brancas em papeis que nitidamente pertenciam a outras etnias, o Duna de Villeneuve abraça a diversidade e cria um universo muito mais interessante. Com mais de duas horas de duração, sabemos que o diretor sabe contar uma história e não se interessa em correr com ela, dando tempo para diálogos, cenas contemplativas, construção de personagens e não se demora nas cenas de batalhas e lutas, mesmo que elas existam no filme e são muito bem orquestradas. A tensão é muito bem utilizada, mas o cuidado estético e excelente direção de atores é muito nítida durante todo o filme, que conta com atuações impecáveis e sem papeis menores. Todos os personagens foram muito bem escolhidos e é impressionante ver Stellan Skarsgård como o asqueroso Barão Harkonnen, além da força da atuação de Rebecca Ferguson como Lady Jessica.

A verdade é que valeu a pena a espera para poder finalmente ver o Duna de Villeneuve. O impacto visual do filme encaixa perfeitamente com a forma que ele sabe contar a história que quer contar em seu tempo, o que pode ser interessante ver que o antigo estilo de contar uma história e fazer um filme de ficção científica pode ser a coisa mais inovadora atualmente em tempos de filmes rápidos e cheios de efeitos especiais vazios.

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