Prêmio

HUGO Awards 2021 – indicados

Saíram as indicações ao Hugo Award para os melhors da Ficção Científica e Fantasia de 2020. Pelo segundo ano consecutivo, todas as finalistas na categoria principal, Melhor Romance, são mulheres. Quatro são finalistas também do prêmio Nebula: Piranesi, de Susanna Clarke; The City We Became, de N. K. Jemisin; Black Sun, de Rebecca Roanhorse; e Network Effect, de Martha Wells. Completam a lista Harrow the Ninth, de Tamsyn Muir, continuação de Gideon the Ninth, indicado ano passado, e que pode ser descrito como necromantes lésbicas num império espacial decadente. E The Relentless Moon, de Maty Robinette Kowal, continuação do ganhador de 2019, The Calculating Stars.

Nenhum dos meus escolhidos foi pra final, mas dois estão indicados pra Escritor Revelação.

Nas categorias mais curtas (Novela, Noveleta, Conto) um grande domínio do site Tor.com, com oito indicações (além de três entre os romances). Mas também uma excelente presença da revista online Uncanny, com quatro indicações. E mais uma vez, as revistas tradicionais (Analog, F&SF, Asimov’s) passaram em branco. Uma explicação pode ser o hábito de leitura, cada vez mais voltado para as publicações online com contribuição voluntária. Mas acredito mais que seja um reflexo da maior diversidade do gênero hoje, e a Uncanny é um símbolo disso. Publica histórias de autores de todos os gêneros, orientações sexuais, nacionalidades e etnias, e dá um grande espaço a pessoas com deficiência. Mérito da dupla de editores Lynne e Michael Damian Thomas, favoritos ao prêmio de melhor revista semi-profissional.

Uma grata surpresa é a indicação para melhor Noveleta de Helicopter Story, de Isabel Fall. A história causou uma grande polêmica quando publicada em Janeiro pela revista online Clarkesworld. O título original (“I Sexually Identify as an Attack Helicopter”) remete a um meme transfóbico. A intenção da autora era desconstruir, desmontar esse meme, mas muita gente protestou, mesmo sem sequer ter lido a história. Teve até escritora de renome e premiada criticando (apesar de admitir que também não tinha lido), e o editor Neil Clarke acabou removendo a história da revista. A coisa só ficou mais absurda quando Isabel Fall revelou que ela própria é uma mulher trans… A noveleta pode ser lida em inglês aqui. É uma história forte, ousada, e merece uma pequena reparação por uma perseguição um tanto desproporcional.

A premiação foi adiada de Agosto para Dezembro, em Washington, para que dê tempo de que a Convenção Mundial este ano volte a ser presencial. Com isso, os eleitores ganham mais tempo para refletir (o deadline da votação é em meados de Novembro), o que pode produzir resultados interessantes. 

A lista completa dos indicados está em aqui

Similar Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *